
Violência Obstétrica no Brasil
A violência obstétrica é um fenômeno alarmante que afeta muitas mulheres durante o processo de gestação e parto. Essa violência pode se manifestar de diversas formas, incluindo procedimentos desnecessários, desrespeito à autonomia da mulher e abuso emocional. No Brasil, o cenário de violência contra a mulher é preocupante, com elevados índices de feminicídios e violência sexual, que são graves violações dos direitos humanos.
O que é Violência Obstétrica?
O termo “violência obstétrica” refere-se à apropriação do corpo e dos processos reprodutivos da mulher por parte de profissionais de saúde. Essa apropriação se manifesta por meio de práticas violentas, abuso de medicalização e patologização de processos naturais, levando à perda de autonomia da mulher sobre seu próprio corpo. A violência obstétrica pode ser classificada em três categorias:
- Violência psicológica: Inclui xingamentos, humilhações e comentários constrangedores relacionados à cor, raça, etnia, religião, orientação sexual, idade ou classe social da mulher.
- Violência física: Envolve práticas como episiotomia sem necessidade e sem anestesia, manobras inadequadas durante o parto, e restrição de movimento da mulher.
- Violência sexual: Refere-se a situações em que a mulher é submetida a procedimentos sem seu consentimento informado.
Estudos indicam que cerca de 25% das gestantes no Brasil já vivenciaram alguma forma de violência obstétrica.
Desafios e Responsabilidades dos Profissionais de Saúde
Os profissionais de saúde têm um papel crucial no enfrentamento da violência obstétrica. É imperativo que eles compreendam não apenas as rotinas de pré-natal e parto, mas também as causas estruturais que contribuem para essa realidade. A promoção de cuidados respeitosos e a defesa de um parto seguro são fundamentais para melhorar a qualidade da assistência à saúde.
Além disso, qualquer ato ou omissão que resulte em violência deve ser denunciado e combatido. Os médicos têm responsabilidades éticas, civis e administrativas bem definidas, e todos os envolvidos na assistência à gestante devem estar cientes de suas obrigações legais e morais.
Como Denunciar Casos de Violência Obstétrica
Embora existam algumas legislações que tratem da violência obstétrica, como a Lei nº 11.108, que aborda questões relacionadas ao parto, ainda não há uma tipificação específica para essa prática no Brasil. Isso cria uma lacuna quanto às reparações e punições adequadas. As vias de denúncia incluem:
- Registrar a queixa na instituição de saúde onde ocorreu a violência.
- Entrar em contato com serviços de apoio, como o Disque 180 ou a Agência Nacional de Saúde Suplementar.
- Acionar conselhos profissionais, como o Conselho Regional de Medicina ou o Conselho Regional de Enfermagem.
- Procurar a Defensoria Pública ou um advogado para ações judiciais de reparação.
- Denunciar à polícia ou ao Ministério Público em casos de crimes, como lesão corporal.
Conclusão
A violência obstétrica é uma questão complexa que requer atenção urgente da sociedade, gestores e profissionais de saúde. Suas raízes estão ligadas a questões históricas de gênero, classe e raça, que, somadas a relações de poder, resultam em abusos e violações. É essencial que haja um compromisso coletivo para combater essa forma de violência e garantir os direitos das mulheres durante a gestação e o parto.
Referências Bibliográficas
- Lansky S, Souza KV, Peixoto ERM, Oliveira BJ, Diniz CSG, Vieira NF, Cunha RO, Friche AAL. Obstetric violence: influences of the Senses of Birth exhibition in pregnant women childbirth experience. Cien Saude Colet. 2019 Aug 5;24(8):2811-2824. doi: 10.1590/1413-81232018248.30102017.
- Leite TH, Mesenburg MA, Marques ES. Terminology: obstetric violence. Am J Obstet Gynecol. 2024 May 23. doi: 10.1016/j.ajog.2024.05.035.
- Loreto TM, Kuhn Dos Santos JF, Nomura RMY. Understanding the opinion of doctors on obstetric violence in Brazil to improve women’s care. Midwifery. 2022 Jun;109:103294. doi: 10.1016/j.midw.2022.103294.
Nota de Responsabilidade: Os conteúdos apresentados no Saúde Business 365 têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.