
Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025
Publicado em 6 de janeiro de 2026, a nova Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose fornece informações cruciais que todos os profissionais de saúde, especialmente nutricionistas, devem conhecer e aplicar em seus atendimentos. Este documento apresenta evidências atualizadas sobre a avaliação, prevenção e manejo das alterações lipídicas ao longo da vida, reconhecendo a Doença Cardiovascular Aterosclerótica (DCVA) como a principal causa de morbimortalidade no Brasil.
A DCVA frequentemente se manifesta em fases mais precoces comparado a países de alta renda, tornando essencial a compreensão do risco cardiovascular ao longo da vida, identificação de fatores agravantes e a implementação de estratégias eficazes de prevenção. O aumento de condições como obesidade, diabetes e dislipidemias na população brasileira reforça a necessidade de intervenções contínuas, especialmente no que diz respeito à modificação do estilo de vida e à alimentação.
Dislipidemias nos Ciclos de Vida
Um dos pontos destacados na diretriz é a necessidade de uma abordagem precoce na avaliação do risco cardiovascular, que é dividida em três fases distintas:
Fase Precoce: Infância e Adolescência
Durante a infância e adolescência, é crucial avaliar a presença de dislipidemias genéticas, como a hipercolesterolemia familiar. A identificação de indivíduos em risco alto ou moderado deve resultar em intervenções que priorizem mudanças no estilo de vida, oferecendo um tratamento individualizado e orientado para a saúde.
Fase Intermediária: Jovens Adultos à Meia-Idade
Nesta fase, a aterosclerose subclínica pode ser detectável por métodos de imagem, como a ultrassonografia de carótidas. A identificação de fatores de risco e a promoção de intervenções precoces são fundamentais. As mudanças no estilo de vida devem ser intensificadas, e a terapia farmacológica pode ser necessária para interromper a progressão da doença e reduzir o risco de eventos cardiovasculares.
Fase Tardia: Idosos e Pacientes com Doença Clínica Estabelecida
Para os idosos, a avaliação da fragilidade, comorbidades e interações medicamentosas é essencial. A presença de doença aterosclerótica manifestada, como infarto do miocárdio ou AVC, requer um tratamento intensivo e metas terapêuticas rigorosas, com ênfase em indivíduos com maior risco cardiovascular.
Classificação de Risco Cardiovascular Aterosclerótico
A diretriz classifica o risco cardiovascular em cinco categorias: baixo, intermediário, alto, muito alto e extremo. Essa categorização é baseada em fatores como presença de doenças, histórico familiar e resultados de exames laboratoriais. Aqui estão os critérios de classificação:
- Baixo: Escore de risco < 5% em 10 anos, ausência de agravantes.
- Intermediário: Escore de risco de 5 a < 20% em 10 anos ou presença de agravantes em risco baixo.
- Alto: Escore de risco ≥ 20% em 10 anos ou presença de fatores agravantes.
- Muito Alto: Doença aterosclerótica significativa ou eventos prévios.
- Extremo: Histórico de múltiplos eventos cardiovasculares ou condições de alto risco associadas.
Alterações nas Dislipidemias e Conhecimentos Necessários para Nutricionistas
As dislipidemias são caracterizadas por uma diminuição nos níveis de colesterol HDL e um aumento nos níveis de colesterol não HDL e triglicerídeos. A nova diretriz recomenda o uso do colesterol não HDL como uma ferramenta importante para a avaliação do risco cardiovascular. A dosagem de colesterol não HDL é especialmente útil na estimativa da quantidade de lipoproteínas aterogênicas em indivíduos com triglicerídeos elevados.
Além disso, agora é indicado o encaminhamento médico para tratamento farmacológico se o LDL-c persistir acima de 145 mg/dL, mesmo em indivíduos de baixo risco. As metas terapêuticas lipídicas são definidas conforme a classificação de risco cardiovascular, conforme segue:
| Categoria de Risco Cardiovascular | Meta de LDL-c | Meta de Não-HDL-c |
|---|---|---|
| Extremamente Elevado | < 40 mg/dL | < 70 mg/dL |
| Muito Alto | < 50 mg/dL | < 80 mg/dL |
| Alto | < 70 mg/dL | < 100 mg/dL |
| Intermediário | < 100 mg/dL | < 130 mg/dL |
| Baixo | < 115 mg/dL | < 145 mg/dL |
Intervenção: O Papel do Nutricionista
A diretriz propõe uma abordagem qualitativa em relação aos macronutrientes para tratamento das dislipidemias, priorizando padrões alimentares minimamente processados, ricos em fibras e a redução do consumo de açúcares e carboidratos refinados. As recomendações dietéticas incluem:
- Gorduras totais: 20-35% do valor calórico total.
- Gorduras saturadas: < 7%.
- Gorduras trans: 0%.
- Ácidos graxos monoinsaturados: 15%.
- Ácidos graxos poli-insaturados: 5-10%.
- Fibras: 25 g/dia.
- Carboidratos: 50-55% do valor calórico total.
O controle de peso é ressaltado como uma estratégia eficaz, com uma redução de 5 a 10% do peso corporal em um ano podendo levar a melhorias significativas no perfil lipídico. A utilização de alimentos funcionais e suplementos é também mencionada como uma estratégia adicional, incluindo opções como proteína de soja, fitoesteróis e probióticos.
Além das recomendações alimentares, a diretriz sugere intervenções de estilo de vida que são fundamentais para a saúde cardiovascular, como a cessação do tabagismo, a prática regular de atividade física e a consideração de aspectos espirituais e de religiosidade no atendimento ao paciente.
Aplicar essas orientações no consultório é vital para a redução de eventos cardiovasculares e para a promoção de uma melhor qualidade de vida dos pacientes, permitindo um cuidado mais individualizado e eficaz.
Para mais informações, consulte a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025.
Referência: Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, Zimerman A, Cesena FHY, Sposito AC., et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640.
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