
Recentemente, dirigentes, executivos e lideranças do cooperativismo de saúde participaram da China Experience 2026, uma missão que ocorreu em Beijing e Shanghai com o objetivo de explorar aplicações de inteligência artificial (IA), gestão de dados, robótica e a implementação de hospitais inteligentes. Esta iniciativa foi promovida pela Unimed Federação, com o apoio do Sistema Ocergs, visando identificar experiências que possam servir como referência para o setor de saúde no Brasil.
Objetivos da Missão na China
A missão, que ocorreu entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, teve uma agenda repleta de atividades ao longo de cinco dias, focadas nas tecnologias atualmente utilizadas no sistema de saúde chinês. O grupo teve a oportunidade de acompanhar diversas experiências relacionadas a saúde, inteligência artificial, tecnologia médica (MedTech), gestão de dados, infraestrutura hospitalar, diagnóstico, robótica e a jornada do paciente.
Dentre as instituições visitadas, destacam-se: SenseTime, Tsinghua Changgung Hospital, X-Humanoid, MicroPort, Huawei Healthcare, Runda Medical, United Imaging e Donghua Mediway. Cada uma dessas organizações proporcionou insights valiosos sobre como a tecnologia pode ser aplicada na saúde.
Relação entre Inteligência Artificial e Dados Estruturados
Um dos principais aprendizados da missão foi a conexão entre inteligência artificial e a infraestrutura de dados. Nas instituições exploradas, as aplicações mais avançadas de IA estavam intimamente ligadas à organização das informações, à interoperabilidade dos sistemas e à integração dos processos clínicos e operacionais. Por exemplo, na Huawei Healthcare, os participantes observaram discussões sobre a utilização de plataformas digitais e a conectividade como base para a implementação de aplicações de inteligência artificial.
Na SenseTime, que é uma empresa chinesa especializada em IA, foi destacado como a qualidade dos dados utilizados impacta diretamente no desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial. A conclusão é que a adoção de novas ferramentas tecnológicas deve ser acompanhada por uma arquitetura robusta, capaz de organizar e conectar as informações disponíveis de maneira eficaz.
Integração da Jornada Assistencial nos Hospitais Inteligentes
Outro aspecto crucial abordado durante a missão foi a integração da jornada assistencial. Ao contrário de utilizar tecnologias de forma isolada, as experiências observadas na China mostraram a importância de conectar diferentes etapas dos processos hospitalares e do atendimento ao paciente. Essa integração permite que as informações clínicas, operacionais e assistenciais sejam compartilhadas entre diversos sistemas, promovendo uma gestão mais eficiente.
Nesse contexto, a utilização de ferramentas de inteligência artificial, diagnóstico e automação se torna parte de uma estrutura mais ampla, que abrange tanto a infraestrutura digital como a organização dos processos dentro das instituições de saúde.
Aprendizados Chave para o Setor de Saúde
Ao final da programação, os participantes da missão conseguiram consolidar quatro aprendizados principais que podem ser aplicados no setor de saúde:
- Dados como Base da Transformação Digital: A importância da padronização, interoperabilidade e integração operacional na utilização de dados.
- Construção de uma Jornada Integrada: A necessidade de conectar as diversas etapas da experiência assistencial, evitando soluções independentes que não se comunicam.
- Redução de Atividades Repetitivas: Aplicação da tecnologia para diminuir tarefas burocráticas e repetitivas, permitindo que os profissionais de saúde tenham mais tempo para o cuidado ao paciente.
- Testes de Novas Tecnologias: A relevância de testar novas soluções antes de sua implementação em larga escala, estabelecendo objetivos e indicadores claros para medir a eficácia.
Orientações para Projetos de Cooperativas de Saúde
As experiências observadas em Beijing e Shanghai fornecem um guia que pode ser considerado pelas cooperativas de saúde ao desenvolver projetos de transformação digital. Algumas das etapas recomendadas incluem:
- Fortalecimento da Governança e da Arquitetura de Dados: É fundamental para garantir a integridade e a acessibilidade das informações.
- Realização de Projetos-Piloto: Testar novas soluções em pequena escala antes de uma implementação mais abrangente.
- Adoção Gradual de Soluções: Expandir as tecnologias que mostram resultados positivos em relação às necessidades específicas das organizações.
A China Experience 2026 evidenciou que a adoção de inteligência artificial na saúde deve ser integrada a uma estrutura mais ampla, que considera dados, conectividade, processos e infraestrutura. Para as cooperativas de saúde brasileiras, o próximo desafio será avaliar quais dessas práticas podem ser adaptadas à realidade local e implementadas em projetos que busquem eficiência operacional, qualidade assistencial e uma melhor experiência para os pacientes.
Nota de Responsabilidade: Os conteúdos apresentados no Saúde Business 365 têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.