SADI: A Solução Inovadora que Está Mudando Tudo

SADI-S na Bariátrica: Técnica, Indicações e Resultados

A obesidade é uma condição de saúde que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo o Brasil. Reconhecida como uma doença complexa, a obesidade está associada a diversos problemas de saúde, que podem ameaçar a vida. A cirurgia bariátrica é uma das abordagens mais eficazes para o tratamento dessa condição. Entre as várias técnicas disponíveis, o bypass duodeno-ileal com gastrectomia vertical, conhecido como SADI-S (Single-anastomosis duodenal-ileal bypass with sleeve gastrectomy), tem ganhado destaque nos últimos anos.

O que é a Técnica SADI-S?

A técnica SADI-S combina a gastrectomia vertical, que é um procedimento restritivo, com a anastomose duodeno-ileal, que é disabsortiva. Isso significa que o procedimento não só reduz o tamanho do estômago, limitando a quantidade de alimento que pode ser ingerida, mas também altera a forma como os nutrientes são absorvidos no intestino delgado. Esse duplo efeito contribui para a perda de peso significativa e para a melhoria de condições metabólicas associadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.

Indicações para a Cirurgia Bariátrica SADI-S

Estudos indicam que a técnica SADI-S é uma opção viável, especialmente em procedimentos revisionais, onde os pacientes experimentaram reganho de peso ou resultados insatisfatórios após cirurgias anteriores, como a gastrectomia vertical ou o bypass gástrico em Y de Roux. Além disso, as diretrizes internacionais recomendam a SADI-S como a primeira escolha para pacientes com índice de massa corporal (IMC) superior a 45 kg/m², em especial aqueles que sofrem de doenças metabólicas mal controladas.

Vantagens da Técnica SADI-S

A SADI-S apresenta várias vantagens em comparação com outras técnicas bariátricas. Pesquisas recentes demonstram que os pacientes submetidos a essa cirurgia apresentam uma perda de peso média superior a outras abordagens, como o RYGB. A diferença na perda de peso pode chegar a 10 kg a mais em relação a outras técnicas. Além disso, a SADI-S tem se mostrado eficaz na remissão de diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia.

Desafios e Limitações da Cirurgia SADI-S

Apesar de suas vantagens, a técnica SADI-S não está isenta de desafios. Um dos principais obstáculos é a complexidade técnica do procedimento, que inclui a dissecção duodenal. Os riscos associados à cirurgia incluem complicações intraoperatórias e a possibilidade de desnutrição pós-operatória. Além disso, os pacientes podem experimentar diarreia e esteatorreia, condições que podem ser mais frequentes em comparação com outras técnicas.

Técnica Cirúrgica da SADI-S

O procedimento SADI-S inicia-se com o acesso à cavidade abdominal. A ressecção parcial do estômago é realizada por meio da gastrectomia vertical, em que cerca de 6,0 cm do antro gástrico é preservado. Em seguida, é feita a secção do duodeno a aproximadamente 3,0 cm do piloro. Um segmento do intestino delgado é demarcado para formar a alça comum, que deve ter entre 250 a 300 cm da válvula ileocecal. É importante evitar um comprimento excessivo da alça comum, pois isso pode resultar em maiores taxas de desnutrição grave. A alça ileal é então conectada ao duodeno, completando a anastomose.

Resultados Clínicos e Metabólicos do SADI-S

Um estudo recente avaliou os resultados a longo prazo da cirurgia SADI-S, demonstrando uma perda de peso significativa de 38,8% após cinco anos, com um IMC médio de 28. Em relação às comorbidades metabólicas, os resultados mostraram uma resolução em 80,5% dos casos de diabetes tipo 2, 71,1% para hipertensão arterial, 72,2% para apneia do sono e 70,5% para dislipidemia.

Seguimento Pós-Operatório e Manejo de Complicações

O seguimento pós-operatório é fundamental e deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, devido ao risco de deficiências nutricionais e complicações metabólicas. Recomenda-se que os pacientes sejam avaliados clinicamente em intervalos de 1, 3, 6, 12, 18 e 24 meses após a cirurgia, com avaliações anuais subsequentes.

Deficiências Nutricionais Comuns

A cirurgia SADI-S está associada a várias deficiências nutricionais, incluindo hipoalbuminemia, deficiência de ferro, hipocalcemia, deficiência de vitamina B12 e deficiências de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K).

Propedêutica Laboratorial e Suplementação

Exames laboratoriais periódicos são essenciais para detectar deficiências nutricionais e monitorar a evolução das doenças metabólicas. É imprescindível que os pacientes recebam suplementação alimentar, que deve incluir polivitamínicos diários, ferro, cálcio, vitamina D e proteínas, com doses adaptadas conforme os resultados dos exames e sintomas apresentados.

Considerações Finais

A técnica SADI-S é reconhecida por organizações internacionais desde 2020 e seus resultados têm se mostrado promissores, com perdas de peso efetivas e remissão de doenças metabólicas. Contudo, sua adoção ainda é limitada entre cirurgiões, e mais estudos prospectivos a longo prazo são necessários para estabelecer seu papel definitivo na cirurgia bariátrica.

Referências

  • Sanchez-Cordero S, Lopez-Gonzalez R, Hermoza R, Pujol-Gebelli J. Five-Year Outcomes of Single Anastomosis Duodeno-Ileal Bypass with Sleeve Gastrectomy: A Systematic Review. Obes Surg. 2025 Sep;35(9):3784-3790. doi: 10.1007/s11695-025-08108-9.
  • Robert M, et al. Efficacy and safety of single-anastomosis duodeno-ileal bypass with sleeve gastrectomy versus Roux-en-Y gastric bypass in France. Lancet. 2025 Aug 23;406(10505):846-859.
  • Sample JW, et al. Single-anastomosis duodenal-ileal bypass with sleeve gastrectomy for diabetes: predictors of remission and metabolic outcomes in a multicenter study. Surg Obes Relat Dis. 2025 Aug;21(8):883-891.
  • Verhoeff K, et al. Evaluation of Metabolic Outcomes Following SADI-S: a Systematic Review and Meta-analysis. Obes Surg. 2022 Apr;32(4):1049-1063.

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