Reposição Hormonal Alcança Apenas 12% das Mulheres Brasileiras

Mulher em consulta médica sobre reposição hormonal

Reposição hormonal alcança só 12% das mulheres brasileiras, aponta estudo

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas, apesar de sua relevância, ainda existe uma grande desinformação e estigma ao seu redor, como evidenciado pelo estudo “Menopausa no Brasil”, realizado pela Reds Research. Este estudo, conduzido entre julho e agosto de 2025, envolveu 837 mulheres com idades entre 40 e 65 anos e explorou diversos aspectos relacionados à menopausa, incluindo sintomas, bem-estar, acesso à saúde, tratamentos e os impactos que essa fase pode ter na vida cotidiana e profissional.

Prevalência de Sintomas e Baixa Adesão a Tratamentos

Um dos principais achados do estudo revela que 82% das mulheres entrevistadas relataram sintomas da menopausa, convivendo, em média, com pelo menos sete manifestações simultâneas. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Ondas de calor: 64,5%
  • Ansiedade: 59%
  • Cansaço ou fadiga: 58,7%
  • Dores articulares: 56,6%
  • Irritabilidade: 48,5%
  • Insônia: 47,9%
  • Ganho de peso: 47,3%
  • Diminuição da libido: 46,7%

Apesar da alta prevalência de sintomas, quase 50% das mulheres não recebem cuidados estruturados para lidar com essas questões. O estudo apontou que 45% das entrevistadas não utilizam nenhum tipo de tratamento para os sintomas da menopausa, muitas vezes recorrendo à automedicação com analgésicos, vitaminas, antidepressivos, ansiolíticos e suplementos naturais, frequentemente sem orientação especializada. Karina Milaré, sócia-diretora da Reds Research, destaca que essa realidade evidencia um grande vazio na atenção à saúde das mulheres, resultando em sofrimento prolongado e uma diminuição significativa na qualidade de vida, saúde mental e produtividade.

A Lacuna da Reposição Hormonal

A terapia de reposição hormonal (TRH) é um dos principais pontos críticos identificados pelo estudo. Apenas 12% das mulheres entrevistadas no Brasil fazem uso desse tratamento, um percentual que é consideravelmente inferior ao observado em países da Europa e no Reino Unido, onde as taxas de adesão chegam a 20% e estão em ascensão. A análise revelou que a busca pela reposição hormonal tende a aumentar conforme a intensidade dos sintomas aumenta; por exemplo, na pré-menopausa, 13,4% das mulheres buscam a TRH, enquanto esse número sobe para 17,9% durante a menopausa.

Apesar disso, 88% das mulheres ainda não têm acesso à terapia de reposição hormonal. A baixa adesão está intimamente ligada à desinformação e à falta de abordagem do tema na formação médica. A interrupção do estudo Women’s Health Initiative (WHI) no início dos anos 2000 e a cobertura midiática que gerou medo em relação à reposição hormonal resultaram em uma queda de cerca de 80% nas prescrições globalmente. Isso levou à exclusão do tema dos programas de residência médica, resultando em uma geração de profissionais sem formação adequada para tratar a menopausa. Recentes pesquisas, no entanto, reabilitaram a terapia com evidências claras de benefícios quando bem indicadas, mas esse conhecimento ainda não alcançou amplamente as mulheres.

Impactos no Trabalho e na Economia

Os efeitos da menopausa vão além da saúde individual, afetando significativamente o desempenho profissional. Dados da Reds Research mostram que os sintomas da menopausa podem comprometer a concentração, o bem-estar emocional e a presença no trabalho. Estudos internacionais indicam que 67% das mulheres com sintomas relatam impacto negativo no desempenho profissional, sendo a perda de concentração o principal efeito citado (79%), seguido pelo aumento do estresse (68%). Além disso, mais da metade das mulheres afirmam ter faltado ao trabalho devido aos sintomas.

No Brasil, o impacto econômico é considerável. Entre as mulheres que estão na menopausa, 63% são economicamente ativas, 93% contribuem financeiramente para as despesas de casa, e 33% são as principais responsáveis pela renda familiar. O estudo também revelou que mulheres economicamente ativas buscam mais a reposição hormonal do que aquelas que não trabalham, evidenciando uma conexão direta entre tratamento, disposição física e manutenção da produtividade. Ignorar a menopausa como um tema de saúde e política corporativa pode comprometer a eficiência dos ambientes de trabalho e desperdiçar o potencial de milhões de mulheres em plena fase produtiva.

Desigualdades na Experiência da Menopausa

A pesquisa também revelou desigualdades significativas na experiência da menopausa entre diferentes grupos raciais. Entre mulheres brancas, os principais sintomas relatados foram ondas de calor (57%), ansiedade (56%) e mudanças de humor (50%). Em contrapartida, mulheres pretas relataram sintomas ainda mais intensos, com destaque para ondas de calor (71%), mudanças de humor (61%) e insônia (54%). Mulheres da raça amarela apresentaram uma diminuição da libido e secura vaginal em 67% dos casos, assim como dores articulares. Essas diferenças ressaltam a necessidade de abordagens mais personalizadas e equitativas no cuidado à saúde da mulher, levando em consideração fatores sociais, raciais e regionais.

Um Mercado Amplo e Pouco Atendido

O levantamento da Reds Research identificou um mercado expressivo e ainda subexplorado. Embora 86,9% das mulheres mantenham acompanhamento ginecológico regular, apenas 11,9% fazem uso da terapia de reposição hormonal. Simultaneamente, 32,3% recorrem à suplementação com vitaminas como principal forma de autocuidado, e 72% relatam problemas de sono, com uma baixa busca por tratamento específico. Isso demonstra que a menopausa ainda é tratada como um tema marginal, quando, na verdade, envolve aspectos cruciais de saúde, economia, bem-estar e longevidade.

Por fim, é evidente que há uma demanda clara por informação de qualidade, serviços integrados e soluções que considerem o corpo, a mente e o contexto social dessas mulheres. Compreender essas necessidades será fundamental para aqueles que desejam se destacar em um dos mercados mais relevantes nas próximas décadas.


Nota de Responsabilidade: Os conteúdos apresentados no Saúde Business 365 têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.

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