Reparo Robótico ou Laparoscópico nas Hérnias Ventrais?

Reparo Robótico vs. Laparoscópico nas Hérnias Ventrais: O Que Diz a Evidência?

As hérnias ventrais, que incluem hérnias primárias e incisionais, são problemas cirúrgicos comuns com uma alta taxa de incidência. O reparo dessas hérnias pode ser realizado através de duas abordagens principais: a laparoscopia convencional e a cirurgia assistida por robótica. Ambas as técnicas têm suas particularidades e evidências que devem ser consideradas na escolha do método a ser utilizado.

Vantagens e Desvantagens das Abordagens

A laparoscopia tradicional, apesar de ser uma técnica eficaz, apresenta algumas limitações, como uma curva de aprendizado mais longa e restrições na manobrabilidade durante o procedimento. Em contrapartida, a cirurgia robótica traz vantagens significativas, incluindo maior precisão e destreza, além de uma visualização tridimensional que proporciona uma melhor perspectiva do campo cirúrgico. Esses fatores contribuem para a redução da inflamação, minimizando a dor e o risco de infecções no pós-operatório, e acelerando o processo de recuperação.

No entanto, a técnica robótica também enfrenta desafios, como o tempo operatório mais prolongado e custos elevados, além de depender da preferência do cirurgião. A escolha entre esses métodos deve levar em conta não apenas as vantagens, mas também esses aspectos críticos.

Análise da Evidência

Uma revisão sistemática publicada na BMC de Cirurgia em 2025 teve como objetivo comparar a eficácia e segurança das abordagens robóticas com as laparoscópicas no tratamento das hérnias ventrais. Para isso, foram seguidas as diretrizes de Cochrane e os padrões PRISMA, utilizando bases de dados como PubMed, Web of Science, Cochrane Library, Embase, Scopus e SpringerLink, abrangendo estudos até dezembro de 2024.

A revisão incluiu apenas ensaios clínicos randomizados que abordaram pacientes com hérnias abdominais, separando os grupos de tratamento entre aqueles que receberam a abordagem robótica e os que foram submetidos à laparoscopia tradicional. Os desfechos clínicos avaliados incluíram infecções no sítio cirúrgico, necessidade de rehernioplastia, taxa de recorrência, tempo de internação hospitalar e duração da cirurgia.

Resultados da Meta-Análise

Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, cinco estudos foram considerados, totalizando 237 pacientes, sendo 114 submetidos à laparoscopia tradicional e 123 à cirurgia robótica. O tempo de acompanhamento variou entre 1 e 24 meses. Os resultados mostraram que a abordagem robótica reduziu significativamente a necessidade de rehernioplastia (RR geral = 0,17, IC 95%: 0,04-0,66; p = 0,011) e o tempo operatório (DM = 69,45, IC 95%: 45,76, 93,14; p < 0,001). Além disso, o tempo de internação hospitalar também foi menor para o grupo robótico (DM = 0,47, IC 95%: 0,18, 0,76).

Embora a cirurgia robótica tenha mostrado uma tendência de redução na taxa de recorrência, essa diferença não foi estatisticamente significativa (RR = 0,46, IC 95%: 0,19, 1,13). Em relação às infecções no sítio cirúrgico, não foram observadas diferenças entre os grupos (RR geral: 0,80, IC 95%: 0,12, 5,07, p = 0,809).

Discussão Sobre os Resultados

A técnica robótica oferece a vantagem de provocar menor dano tecidual e reduzir a resposta inflamatória, o que pode resultar em uma cicatrização mais eficiente e em uma diminuição da taxa de aderências, reduzindo assim o risco de recorrência. No entanto, o acompanhamento limitado a 24 meses pode não ser suficiente para detectar recorrências tardias. Estudos anteriores, como os publicados na JAMA Surgery em 2024, indicam que a taxa de recorrência pode ser maior em abordagens robóticas quando o acompanhamento é realizado por períodos mais longos.

O menor tempo de internação hospitalar observado na abordagem robótica pode ser atribuído à precisão no manejo dos tecidos, que promove uma recuperação mais rápida. Apesar do tempo operatório ser geralmente mais longo na cirurgia robótica devido à necessidade de calibração do sistema e posicionamento dos braços robóticos, esta meta-análise revelou tempos cirúrgicos menores para o grupo robótico, o que suscita a necessidade de investigações adicionais para compreender essa discrepância.

Quanto à taxa de infecção, a ausência de diferenças significativas pode estar relacionada ao tamanho reduzido da amostra. A cirurgia robótica, por sua natureza, deveria potencialmente reduzir essas taxas, uma vez que permite um fechamento mais preciso das camadas e diminui a exposição dos tecidos internos a contaminantes externos.

Conclusão

As abordagens cirúrgicas robóticas e laparoscópicas tradicionais demonstraram ser seguras e eficazes no tratamento das hérnias ventrais. A meta-análise sugere que a cirurgia robótica pode oferecer melhores desfechos em relação às taxas de recorrência e à necessidade de rehernioplastia. No entanto, mais estudos são necessários para validar esses resultados e estabelecer diretrizes mais claras sobre a melhor abordagem a ser utilizada.

Mensagens Práticas

  • A abordagem robótica e a laparoscopia tradicional são ambas seguras e eficazes no tratamento das hérnias ventrais.
  • Evidências recentes indicam que a abordagem robótica pode reduzir a taxa de recorrência e a necessidade de rehernioplastia.

Nota de Responsabilidade: Os conteúdos apresentados no Saúde Business 365 têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.

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