Dor e Delirium na UTI: Incidência e Prevalência Reveladas

Dor e Delirium na UTI: Incidência e Prevalência

A incidência e prevalência de delirium e dor em unidades de terapia intensiva (UTI) são questões de grande relevância clínica. Estudos indicam que o delirium é uma disfunção cerebral global caracterizada por confusão flutuante, déficit de atenção e desorganização do pensamento. Este fenômeno não apenas aumenta a permanência dos pacientes na UTI e no hospital, mas também está relacionado a uma maior mortalidade.

Pesquisas anteriores revelaram que a incidência de delirium é de aproximadamente 22% durante a estadia de um paciente na UTI, enquanto a prevalência da síndrome gira em torno de 30%. Identificar e tratar o delirium na UTI apresenta desafios significativos, uma vez que as intervenções com medicações antipsicóticas para prevenção não mostraram resultados satisfatórios. O tratamento com essas mesmas drogas tem demonstrado reduzir o tempo de delirium, mas não impacta a mortalidade dos pacientes.

Um fator que agrava a situação é a dor, que pode aumentar as chances de delirium e agitação. Assim, o manejo eficaz da dor poderia ser uma estratégia importante para a prevenção do delirium. Em um estudo realizado em UTIs francesas com mais de 1400 pacientes, observou-se que 29% deles relataram dor, com esse número subindo para 83% após procedimentos invasivos. Portanto, a dor é um sintoma frequentemente reportado por pacientes internados em UTIs.

Métodos de Pesquisa

Os autores de uma revisão sistemática exploraram a incidência e prevalência de delirium e dor em UTIs, buscando caracterizar a relação entre esses dois fenômenos. A presença de delirium e dor foi categorizada como ausente ou presente. As ferramentas de detecção mais utilizadas para delirium foram o CAM-ICU e o checklist de screening IDCSC, enquanto a dor foi avaliada por métodos como CPOT, BPS e a escala visual numérica.

A dor foi classificada como moderada a severa quando a escala visual atingia 5 pontos ou mais, com critérios semelhantes para as outras ferramentas. A incidência foi definida como o número de novos casos de delirium entre todos os pacientes internados, enquanto a prevalência considerou casos pré-existentes durante o período de estudo.

Os autores realizaram buscas em bases de dados como Medline, Embase e o registro central de estudos clínicos da Cochrane, incluindo todos os estudos relevantes publicados até maio de 2023. Analisaram também subgrupos de tipos de UTI, ferramentas de screening e países de origem dos estudos, além da gravidade das doenças, utilizando escores como Apache II, SOFA e SAPS 3.

Resultados da Revisão

Com mais de 8.000 referências encontradas, 517 textos foram estudados, resultando na inclusão de 213 estudos originais, abrangendo uma população de 183.285 pacientes. A maioria dos estudos foi realizada na Europa e nos Estados Unidos, com uma predominância de UTIs mistas/gerais.

A prevalência de delirium foi de 35,7%, com um intervalo de confiança de 95% entre 32% e 39%. O subtipo hipoativo foi o mais comum, representando 16% dos casos. A incidência de delirium, observada em 41 estudos, foi de 28,8%, com intervalo de confiança entre 23% e 35%. A prevalência de dor foi de 43,5% em 11 estudos, com variações consideráveis entre as pesquisas.

Os dados também mostraram que a prevalência de delirium variava com o tipo de UTI, sendo maior em UTIs especializadas, como neurológicas e oncológicas. A prevalência de delirium foi significativa em populações com maior gravidade de doenças, e a implementação de diretrizes a partir de 2013 parece ter contribuído para a redução das taxas de delirium e dor nos pacientes.

Implicações Práticas

Os achados indicam que delirium e dor são comuns em pacientes adultos admitidos em UTIs, com uma prevalência de 35% e uma incidência de 30% para delirium, além de uma prevalência de dor em torno de 45%. A revisão sistemática sugere que a monitorização contínua da incidência e prevalência de delirium e dor deve ser uma prioridade nas UTIs, servindo como referência para a qualidade do atendimento em pacientes críticos.

A implementação de diretrizes para o manejo de dor, agitação e delirium pode ser uma estratégia eficaz para o controle e redução dessas taxas nas UTIs.

Referências

Leong AY, Edginton S, Lee LA, Jaworska N, Burry L, Fiest KM, Doig CJ, Niven DJ. Prevalence and incidence of ICU delirium and pain: a systematic review and meta-analysis. Intensive Care Med. 2025 Oct 21. doi: 10.1007/s00134-025-08167-7


Nota de Responsabilidade: Os conteúdos apresentados no Saúde Business 365 têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.

Rolar para cima