Como Usar SNO na Prática Clínica com Consenso de Especialistas

Suplementos Nutricionais Orais sendo utilizados em ambiente clínico para pacientes desnutridos

Introdução ao Uso de Suplementos Nutricionais Orais (SNO)

A desnutrição é um problema clínico comum que pode resultar em uma série de consequências negativas, incluindo internações hospitalares prolongadas, complicações, declínio funcional e aumento da mortalidade. Os Suplementos Nutricionais Orais (SNO) são uma ferramenta essencial para pacientes que não conseguem obter suas necessidades nutricionais apenas por meio da alimentação regular. Apesar de sua eficácia comprovada, o uso de SNO ainda é inconsistente, principalmente devido à falta de diretrizes claras sobre sua aplicação prática. Este artigo discute as recomendações de especialistas para a utilização de SNO em ambientes clínicos, com base em um consenso internacional recentemente desenvolvido.

Quando Considerar o Uso de SNO?

O uso de SNO é indicado para indivíduos que:

  • Podem ingerir nutrientes por via oral;
  • Não conseguem consumir nutrientes suficientes para atender às suas necessidades nutricionais;
  • Estão diagnosticados com desnutrição ou correm risco de desenvolvê-la.

Como Integrar SNO na Alimentação do Paciente?

A recomendação é que os SNO sejam utilizados como um lanche após as refeições principais. Antes de iniciar a suplementação, é importante determinar as necessidades nutricionais específicas do paciente e avaliar a quantidade de energia e proteína que ele já consome. Geralmente, o consumo de 2 a 3 caixas (equivalente a 600 a 900 kcal) de SNO por dia é sugerido, dependendo da tolerância e das necessidades do paciente.

Vale ressaltar que, quando os SNO são utilizados antes ou como substitutos das refeições, pode ocorrer uma diminuição do apetite e da ingestão alimentar durante as refeições. Portanto, é aconselhável que os pacientes consumam os SNO em intervalos frequentes, após as refeições ou entre elas, e pelo menos 2 horas antes da próxima refeição.

Como Aumentar a Tolerância aos SNO?

Muitos pacientes podem ter dificuldade com o sabor, aroma e consistência dos SNO. Para aumentar a aceitação, é crucial considerar as preferências individuais de cada paciente. Se a ingestão adequada não for alcançada, recomenda-se oferecer SNO com diferentes sabores. O sabor pode ser enriquecido com purês de frutas, como banana ou morango, suco de limão, cacau ou especiarias como gengibre e canela. É importante ter cuidado especial com pacientes que sofrem de mucosite devido à quimioterapia, pois algumas dessas adições podem causar dor.

Como Monitorar a Adesão aos SNO?

A adesão dos pacientes ao uso de SNO deve ser avaliada já na primeira semana após o início da suplementação. O monitoramento deve continuar a cada 2 a 4 semanas durante os primeiros 3 meses e, em seguida, a cada 3 a 6 meses para aqueles que precisam de uso prolongado. Durante o acompanhamento, é importante avaliar:

  • O apetite e a ingestão oral;
  • O diário alimentar do paciente;
  • A satisfação das necessidades diárias de energia e proteína;
  • O estado nutricional, incluindo peso e outras medidas antropométricas;
  • A capacidade funcional;
  • Alterações no estado clínico geral;
  • A necessidade de alimentação por sonda.

Uso de SNO em Pacientes com Doenças Concomitantes

Quando um paciente apresenta doenças concomitantes além da desnutrição, é necessário decidir se será administrado um SNO específico para a condição ou um SNO padrão. As adaptações dietéticas devem ser feitas com base nas recomendações nutricionais específicas para cada doença, seguindo diretrizes estabelecidas.

Complicações Gastrointestinais Associadas ao Uso de SNO

Complicações gastrointestinais, como náuseas, vômitos, distensão abdominal e diarreia, são problemas comuns no uso de SNO. Nesses casos, é fundamental revisar o conteúdo, a dose, a osmolaridade e as condições de armazenamento dos SNO. Para pacientes com náuseas ou saciedade precoce, pode-se considerar o uso de medicamentos procinéticos, tendo em mente seus possíveis efeitos colaterais. Para aqueles com diarreia, recomenda-se reduzir a quantidade do produto, prolongar o tempo de ingestão e, se necessário, optar por fórmulas com fibras ou menor osmolaridade. No caso de constipação, é importante considerar a imobilidade e a redução da motilidade intestinal, frequentemente causadas por sedativos ou opioides. O tratamento da constipação durante a terapia nutricional deve incluir o aumento da ingestão de líquidos e a possível adição de amaciantes de fezes, como a lactulose.

Conclusão

O uso adequado de SNO pode desempenhar um papel crucial na recuperação e na manutenção da saúde dos pacientes desnutridos. A implementação de diretrizes baseadas em consenso entre especialistas pode ajudar a otimizar a utilização desses suplementos na prática clínica, assegurando que os pacientes recebam o suporte nutricional necessário para suas condições específicas.

Referência: Gulistan Bahat et al., Nutritional care using oral nutritional supplements: 22 questions every clinician asks—Answered by global experts in a Delphi consensus study, Clinical Nutrition, Volume 57, 2026, 106552, https://doi.org/10.1016/j.clnu.2025.106552.


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