Gastroparesia Pós Cirurgia Como Lidar com os Sintomas

Gastroparesia Pós-Pancreatectomias: Temos uma Solução?

A gastroparesia é uma condição que afeta a motilidade gástrica, resultando em um esvaziamento gastrintestinal lento. Essa complicação é frequentemente observada após pancreatectomias, um procedimento cirúrgico que envolve a remoção parcial ou total do pâncreas. Um estudo recente publicado nas Annals of Surgery revela a alta incidência de gastroparesia após essas cirurgias e investiga se existem estratégias eficazes para sua prevenção.

Incidência de Gastroparesia

As taxas de gastroparesia variaram entre 1,2% a 60,5% nos ensaios revisados, com uma média geral de 17,2%. Essa variação sugere que diferentes fatores podem influenciar a ocorrência da condição, como o tipo de pancreatectomia realizada. Por exemplo, pancreatectomias distais apresentaram uma taxa de 4,2%, enquanto as duodenopancreatectomias mostraram uma taxa de 12,8%.

Fatores de Risco

O estudo identificou que pacientes mais velhos, com um índice de massa corporal (IMC) elevado e níveis de bilirrubina aumentados têm maior probabilidade de desenvolver gastroparesia após a cirurgia. Além disso, características anatômicas, como ductos pancreáticos menores que 5 mm e o tipo de anastomose gastro, também podem impactar a incidência da condição.

Anastomoses e Técnicas Cirúrgicas

Diversas técnicas de anastomose foram analisadas para entender suas associações com a gastroparesia:

  • Pancreatojejunal vs. pancreatogastroanastomose: Não houve diferença estatística significativa (RC 1,13; CI 95% 0,74–1,70; P= 0,58).
  • Preservação pilórica: Quatro ensaios clínicos não mostraram diferença na incidência (RC 0,74; CI 95% 0,34–1,61; P= 0,45).
  • Passagem retrocólica vs. anticólica: A análise não evidenciou diferenças significativas (RC 1,23; CI 95% 0,83–1,84; P= 0,31).
  • Reconstrução com Y-de-roux ou Billroth: Sem diferença estatística (RC 1,83; CI 95% 0,76–4,42; P= 0,18).
  • Técnica minimamente invasiva vs. convencional: A técnica minimamente invasiva demonstrou benefício significativo para pancreatectomias distais (RC 0,32; CI 95% 0,12–0,88; P= 0,03).
  • Utilização do protocolo ERAS: Não foram encontrados dados estatísticos conclusivos (RC 1,00; CI 95% 0,40–2,48; P= 0,99).

Discussão dos Resultados

A metanálise evidencia a complexidade da gastroparesia após pancreatectomias, uma condição que frequentemente está presente tanto em duodenopancreatectomias quanto em pancreatectomias distais. Apesar de várias estratégias avaliadas, apenas a pancreatectomia distal realizada por técnicas minimamente invasivas se destacou como um método eficaz para mitigar a gastroparesia.

Além das complicações físicas, a gastroparesia implica também em desafios no manejo nutricional do paciente. Um paciente afetado pode enfrentar atrasos em terapias adjuvantes, como quimioterapia, devido à internação prolongada e a um estado nutricional inadequado.

Novas pesquisas têm explorado a dosagem do GLP-1 como um potencial biomarcador para a gastroparesia. Pacientes com essa condição geralmente apresentam níveis baixos de GLP-1 no período pós-prandial, sugerindo uma possível relação entre a motilidade gástrica e o metabolismo hormonal.

Considerações Finais

Ainda há muito a ser descoberto sobre as causas e o manejo da gastroparesia após cirurgias do pâncreas. As diversas tentativas de modificar técnicas cirúrgicas não demonstraram os resultados esperados, ressaltando a complexidade do problema. Contudo, o uso de abordagens minimamente invasivas continua a mostrar-se promissor na redução da incidência dessa condição debilitante.

Referências Bibliográficas

Montorsi RM, Strijbos BTM, Stommel MWJ, et al. Preventing and Treating Delayed Gastric Emptying After Pancreatic Surgery: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Ann Surg. 2025;282(6):954-962. doi:10.1097/SLA.0000000000006642.


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