
Judicialização dos Planos de Saúde Pode Superar 1,2 Milhão por Ano
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) indica que a judicialização dos planos de saúde no Brasil pode atingir entre 900 mil e 1,2 milhão de novas ações judiciais anualmente até 2035. Esse aumento alarmante representa uma triplicação em comparação aos níveis atuais e é impulsionado por uma série de fatores complexos.
Causas do Crescimento da Judicialização
O IESS aponta que a alta demanda por ações judiciais está relacionada a:
- Lacunas regulatórias: A falta de clareza nas normas que regem os planos de saúde contribui para o aumento das disputas judiciais.
- Incentivos econômicos: A indústria farmacêutica e escritórios especializados em litígios de saúde se beneficiam da judicialização, promovendo uma cultura de ações legais em busca de cobertura.
- Decisões judiciais complexas: A urgência e a complexidade técnica dos casos muitas vezes influenciam o viés nas decisões dos juízes.
Impacto Financeiro
A judicialização da saúde impõe um custo significativo ao sistema de saúde suplementar, com gastos acumulados que somam R$ 17,1 bilhões entre 2019 e 2023. Em 2024, o número de novos processos relacionados à saúde aumentou em 112% em relação a 2020, totalizando quase 300 mil novos casos. As principais razões para essas ações incluem:
- Fornecimento de medicamentos: 35% das ações judiciais estão relacionadas a medicamentos não fornecidos pelos planos.
- Tratamentos médico-hospitalares: 30% das disputas envolvem a negativa de cobertura para procedimentos médicos essenciais.
- Reajustes contratuais: 20% das ações referem-se a aumentos de preços considerados abusivos pelos consumidores.
Propostas para Reduzir a Judicialização
Para conter o avanço da judicialização, é fundamental implementar mudanças estruturais significativas no setor de saúde suplementar. Algumas das propostas incluem:
- Adoção de ações coordenadas: Promover uma abordagem unificada entre órgãos reguladores e operadoras de saúde para resolver conflitos.
- Criação de um sistema de capacitação: Treinar profissionais da saúde que atuam nos Núcleos de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NATJUS), para que possam oferecer apoio técnico qualificado nas decisões judiciais.
- Ampliação da mediação pré-processual obrigatória: Incentivar a resolução de conflitos antes que cheguem aos tribunais, proporcionando um ambiente mais colaborativo.
- Modelo regulatório transparente: Estabelecer uma regulamentação clara e baseada em evidências, que proteja tanto os consumidores quanto as operadoras de saúde.
- Transparência nas decisões administrativas: Aprimorar a fundamentação técnica nas decisões das operadoras, conforme exigido pela RN nº 623/2024, para garantir maior clareza e justiça nas negativas de cobertura.
- Formação continuada da magistratura: Investir na capacitação dos juízes para que possam tomar decisões mais embasadas em questões de saúde complexas.
Desafios para o Futuro
O fenômeno da judicialização da saúde representa um dos maiores desafios para a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar no Brasil. À medida que a população continua a buscar judicialmente seus direitos, é essencial que medidas eficazes sejam adotadas para equilibrar a proteção dos consumidores e a viabilidade econômica das operadoras de saúde. A necessidade de intervenções judiciais deve ser revista, e o fortalecimento da comunicação entre os diversos atores do sistema de saúde pode ser a chave para um futuro mais sustentável.
Referências: Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).
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