
Saúde e OMS alertam para risco de paralisação de hospitais por causas climáticas
O impacto das mudanças climáticas na saúde é um tema que vem ganhando destaque nas discussões globais. Um relatório recente divulgado durante a COP30 pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que 1 em cada 12 hospitais no mundo pode estar em risco de paralisação devido a cenários climáticos extremos. Este alerta é um chamado à ação, enfatizando a necessidade de um Plano de Ação para enfrentar as emergências climáticas que afetam diretamente os sistemas de saúde.
O Relatório da COP30
O relatório intitulado “Saúde e Mudanças Climáticas: Implementando o Plano de Ação em Saúde de Belém” destaca a alarmante realidade de que mais de 540 mil pessoas morrem anualmente em decorrência de calor extremo. O documento não apenas apresenta dados sobre os riscos, mas também clama por ações concretas para proteger a saúde da população em face da crise climática. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatiza que este relatório traz evidências que demonstram como as mudanças climáticas já estão impactando os sistemas de saúde em todo o mundo.
O Plano de Ação em Saúde de Belém
Este relatório é uma continuação do lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, que se estabelece como o primeiro plano internacional focado na adaptação climática voltado exclusivamente para a saúde. O plano reconhece o crescente impacto das mudanças climáticas e propõe uma série de ações que os países devem adotar para se preparar para esses desafios. As três linhas de ação definidas são:
- Vigilância e monitoramento: Fortalecimento da vigilância integrada e informada pelo clima.
- Políticas baseadas em evidências: Desenvolvimento de estratégias e capacitação para aumentar a capacidade de implementação de soluções eficazes e equitativas nos sistemas de saúde.
- Inovação e tecnologia: Fomento à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias que atendam às necessidades de diferentes populações.
Impactos nas Saúde e Economia
Os efeitos das mudanças climáticas não são apenas uma questão de saúde pública, mas também trazem implicações econômicas significativas. Estima-se que entre 3,3 e 3,6 bilhões de pessoas vivem em áreas altamente vulneráveis a esses impactos. Desde 1990, os hospitais e unidades de saúde enfrentaram um aumento de 41% no risco de danos devido a eventos climáticos extremos. O aumento das temperaturas e as ondas de calor têm pressionado diretamente os sistemas renal e cardiovascular de milhões de indivíduos, resultando em graves consequências para a saúde pública.
O Lancet Countdown, uma iniciativa de pesquisa que monitora o impacto das mudanças climáticas na saúde, reportou perdas de aproximadamente US$ 1,09 trilhão em 2024 devido à redução da capacidade laboral. Tempestades mais intensas e frequentes causam não apenas lesões diretas, mas também interrompem infraestruturas críticas e sistemas de saneamento, exacerbando problemas de saúde mental já existentes entre as populações afetadas.
Desafios para a Proteção das Populações Vulneráveis
Um aspecto preocupante identificado no relatório é a falha de muitos países em proteger as populações mais vulneráveis em situações de emergência climática. Apenas 54% dos planos de adaptação em saúde avaliam adequadamente os riscos às unidades de saúde. Menos de 30% dos estudos consideram a renda, apenas 20% abordam questões de gênero e menos de 1% inclui a perspectiva de pessoas com deficiência. Diante desse cenário, o relatório solicita que as nações adotem medidas imediatas, como:
- Integrar objetivos de saúde nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e nos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs).
- Utilizar os recursos economizados pela descarbonização para financiar a adaptação em saúde e capacitar profissionais.
- Investir em infraestrutura resiliente, priorizando unidades de saúde e serviços essenciais.
- Empoderar as comunidades e valorizar o conhecimento local na formulação de respostas que considerem as realidades vivenciadas.
Conclusão
O relatório deixa claro que há evidências suficientes para a implementação de ações imediatas. Existem soluções eficazes, de baixo custo e alto impacto, para cada um dos eixos do Plano de Ação em Saúde de Belém. O tempo para agir é agora, e cada país deve se comprometer a proteger a saúde de suas populações em um mundo cada vez mais afetado pelas mudanças climáticas.
Referências
Ministério da Saúde. Relatório do Ministério da Saúde e OMS alerta: 1 em cada 12 hospitais do mundo tem risco de paralisação por causas relacionadas ao clima. Disponível em: link.
GOVBR. Delivering the Belém Health Action Plan. Disponível em: link.
Ministério da Saúde. Brasil lança Plano de Ação em Saúde de Belém para enfrentar impactos climáticos e fortalecer sistemas de saúde globais. Disponível em: link.
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