Os custos dos planos de saúde corporativos no Brasil deverão aumentar em 11,1% em 2027, conforme aponta um estudo realizado pela Aon, intitulado “Global Medical Trend Rates 2027”. Este aumento é significativo, especialmente quando comparado ao crescimento de 9,7% registrado em 2026. Essa tendência de alta contrasta com o cenário global, onde a expectativa é de que os custos médicos diminuam de 9,8% para 9% no próximo ano.
Perspectivas de Crescimento dos Custos de Saúde no Brasil
O relatório da Aon analisa o aumento dos custos dos planos de saúde patrocinados por empregadores em diversos mercados e revela que no Brasil, essa alta supera em mais de três vezes a inflação projetada de 3,4% pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O crescimento líquido dos custos médicos, após a consideração da inflação, deve passar de 5,4% para 7,7% em 2027. Embora esses dados não reflitam diretamente os reajustes dos contratos dos planos de saúde, são ferramentas valiosas para as empresas ao planejarem seus programas de assistência e avaliarem a sustentabilidade financeira dos benefícios oferecidos.
Cenário da América Latina e Outras Regiões
Na América Latina e Caribe, a taxa bruta de crescimento dos custos de saúde permanece relativamente estável, com uma leve alta de 10,3% para 10,4% em 2027. Outras regiões do mundo, por sua vez, apresentam uma tendência de diminuição nos custos. Na Ásia-Pacífico, a taxa deve cair de 11,3% para 9,7%, enquanto na Europa a expectativa é de redução de 8,2% para 7,5%. O Oriente Médio e a África também devem ver uma diminuição, passando de 15,3% para 12,2%.
Fatores que Influenciam o Aumento dos Custos Médicos
Apesar da desaceleração na inflação médica em diversos mercados, o relatório destaca que os custos médicos continuam a crescer em um ritmo superior à inflação geral, prevista em 3,4% para 2027. Essa pressão inflacionária é sustentada por fatores estruturais como:
- Envelhecimento da população;
- Aumento da prevalência de doenças crônicas;
- Demanda crescente por serviços de saúde;
- Adoção de tratamentos e tecnologias avançadas, que tendem a ser mais custosos.
Impacto das Doenças Crônicas nos Custos de Saúde
No Brasil, as doenças crônicas são os principais responsáveis pelo aumento das despesas assistenciais. As condições que mais impactam os custos dos planos de saúde incluem:
- Doenças cardiovasculares;
- Câncer;
- Doenças autoimunes;
- Condições relacionadas à saúde mental;
- Problemas musculoesqueléticos e da coluna vertebral.
Comportamentos como sedentarismo, obesidade, má alimentação, gestão inadequada do estresse e consumo excessivo de álcool e outras substâncias também contribuem para o aumento desses riscos.
Distribuição dos Custos dos Planos de Saúde
As despesas dos planos de saúde estão concentradas em diversas áreas, incluindo:
- Hospitalizações;
- Medicamentos;
- Imunobiológicos;
- Tratamentos oncológicos;
- Terapias e exames específicos para pessoas neurodivergentes.
No último ano, a frequência de consultas eletivas, atendimentos em pronto-socorro e terapias simples se manteve estável. Entretanto, a utilização de procedimentos mais complexos, incluindo internações e terapias complexas, aumentou. Embora tenha havido uma redução no custo médio dos procedimentos, a crescente incidência de doenças autoimunes e oncológicas em faixas etárias mais jovens resultou em maior uso dessas terapias, ampliando sua participação nas despesas assistenciais.
Conclusão
Os dados utilizados para essa análise foram extraídos do Painel de Oncologia do DataSUS e de referências internacionais sobre câncer de início precoce. Os estudos demonstram que o aumento da incidência de câncer em idades mais jovens não pode ser atribuído exclusivamente ao envelhecimento da população, sendo também influenciado por fatores relacionados ao estilo de vida, como a obesidade. O aumento das internações está possivelmente ligado à maior conversão de atendimentos em pronto-socorro em internações, além da evolução clínica de pacientes em tratamentos complexos.
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