
A Novo Nordisk e o Desafio das Canetas emagrecedoras no Brasil
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, conhecida pela fabricação das canetas de semaglutida Ozempic e Wegovy, enfrenta desafios significativos no mercado brasileiro. A companhia busca recuperar sua posição após perder a liderança para a Eli Lilly, que lançou o Mounjaro, um medicamento à base de tirzepatida. A luta pela participação no mercado envolve estratégias polêmicas, incluindo a venda direta de seus produtos e a tentativa de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O Mercado de Canetas Emagrecedoras
Entre maio do ano passado e este ano, as vendas do Wegovy e Ozempic alcançaram impressionantes R$ 4,8 bilhões, de acordo com dados da Close-Up International Brasil. No entanto, a chegada do Mounjaro mudou o cenário competitivo. O produto da Eli Lilly rapidamente se tornou líder de vendas, acumulando R$ 8,5 bilhões em receita, o que representa 64% do total vendido no segmento GLP-1 no Brasil.
Estratégias da Novo Nordisk
A Novo Nordisk delineou dois planos principais para tentar recuperar sua fatia de mercado. O primeiro é a insistência na incorporação da semaglutida ao SUS, um pedido que foi negado no ano passado devido a preocupações sobre os custos para o governo. O segundo plano, mais controverso, envolveu a venda direta das canetas por meio da plataforma NovoCare Farmácia, eliminando a necessidade de passar pelas farmácias tradicionais.
Reação do Varejo Farmacêutico
A estratégia de venda direta gerou uma forte reação negativa das redes de farmácias, lideradas pela Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). A associação criticou a Novo Nordisk por descumprir regulamentações e por supostos riscos à segurança do paciente. Após apenas seis dias, a empresa suspendeu a venda direta, reconhecendo a intensidade da oposição.
Desafios para a Incorporação ao SUS
Além da venda direta, a Novo Nordisk está tentando novamente a incorporação do Wegovy ao SUS, oferecendo um desconto significativo. Contudo, enfrenta uma concorrência acirrada de produtos mais acessíveis. A análise do pedido de incorporação pode levar até 270 dias, com uma decisão esperada apenas em 2027. O impacto financeiro da inclusão no SUS é grande, com estimativas apontando um custo adicional de R$ 3,7 bilhões para o governo em cinco anos.
O Mercado de GLP-1 no Brasil
O segmento de canetas emagrecedoras está em rápida expansão no Brasil. Um relatório do Itaú BBA indica que o mercado pode atingir R$ 19 bilhões até o final de 2026, um crescimento significativo de 110% em relação ao ano anterior. As canetas GLP-1 já representam 5,7% das vendas totais das farmácias, com algumas redes, como a RD Saúde, relatando que esses produtos contribuem com 12% de sua receita.
A Resposta da Novo Nordisk
A Novo Nordisk reconheceu a necessidade de um modelo mais integrado ao varejo farmacêutico e suspendeu temporariamente a operação da plataforma NovoCare Farmácia. A empresa se comprometeu a incorporar os aprendizados dessa fase piloto para desenvolver um modelo mais colaborativo com as farmácias. A expectativa é que isso possa restaurar a confiança do varejo em suas iniciativas.
Conclusão
O futuro da Novo Nordisk no Brasil depende de sua capacidade de se adaptar a um mercado em rápida evolução e de lidar com a crescente concorrência. A luta pela incorporação ao SUS e pela aceitação das farmácias será crucial para determinar o sucesso da companhia no segmento de canetas emagrecedoras. A abordagem da empresa em relação a estas questões será observada de perto, tanto pelos consumidores quanto pelos stakeholders do setor farmacêutico.
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