
Fiocruz Lidera Estudo Global sobre Oxigênio Medicinal nas Américas
Em fevereiro, a renomada revista científica The Lancet Global Health publicou um estudo prospectivo e observacional conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Este estudo analisou as necessidades de oxigênio medicinal e suporte respiratório para pacientes hospitalizados com Covid-19 em 23 países de baixa e média renda, correlacionando a infraestrutura disponível com a mortalidade hospitalar. Os resultados revelaram que o acesso ao oxigênio é um indicador crítico de desigualdade em saúde.
Condução do Estudo pela Fiocruz
Neste contexto, pesquisadores da Fiocruz desempenharam um papel crucial. Sob a liderança de Mônica Cruz, coordenadora do Centro Clínico do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), e Valdiléa Veloso, vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do INI, a instituição se destacou como o centro com o maior recrutamento de pacientes em todo o continente americano.
Do total de mais de 53 mil pacientes triados globalmente em 56 centros, a Fiocruz foi responsável pela triagem de 601 pacientes e pela inclusão de 166 na coorte definitiva. A coleta de dados foi realizada com o suporte estratégico da equipe de Fisioterapia do Centro Hospitalar do INI/Fiocruz, que atuou na linha de frente do suporte respiratório. Essa mobilização de recursos humanos e tecnológicos foi fundamental durante a crise sanitária global.
Resultados e Implicações do Estudo
Mônica Cruz enfatiza que os resultados do estudo vão além da mera resposta à pandemia. Ela afirma: “Este estudo confirmou que o oxigênio não é apenas um insumo hospitalar, mas um marcador estrutural de iniquidades. Ele determina a resiliência de um sistema de saúde.” Essa afirmação ressalta a importância do oxigênio como um elemento essencial para a eficácia dos cuidados de saúde em momentos de emergência.
As evidências geradas pela Fiocruz e seus parceiros internacionais são fundamentais para a resolução da Assembleia Mundial da Saúde de 2023. Essas evidências fornecem uma base científica sólida para que governos identifiquem dispositivos prioritários e estabeleçam agendas de pesquisa voltadas para futuras emergências globais.
Oxigênio como Marcador de Desigualdade em Saúde
O estudo revela uma realidade alarmante: cerca de 60% da população mundial não tem acesso a oxigênio medicinal de qualidade. A análise global demonstrou que a disponibilidade de oxigênio varia drasticamente entre as diferentes regiões do mundo, impactando diretamente as taxas de sobrevivência de pacientes em tratamento.
Na região africana, onde a infraestrutura é mais limitada, a mortalidade hospitalar em 30 dias atingiu impressionantes 37,6%. Em contrapartida, os dados das Américas, onde a Fiocruz serviu como referência, destacaram a complexidade do atendimento, com a região registrando o uso mais frequente de ventilação mecânica invasiva, alcançando 26,4%. Além disso, a América apresentou a maior densidade de profissionais de saúde, com uma mediana de 110 trabalhadores para cada 100 leitos disponíveis.
Esses dados não apenas ilustram a disparidade no acesso ao oxigênio medicinal, mas também ressaltam a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura de saúde, especialmente em países em desenvolvimento. A promoção de um acesso equitativo ao oxigênio medicinal é vital para garantir que todos os pacientes, independentemente de sua localização geográfica, tenham a chance de receber cuidados adequados e potencialmente salvar vidas.
Considerações Finais
O estudo liderado pela Fiocruz não apenas elucida a situação atual do acesso ao oxigênio medicinal, mas também serve como um chamado à ação para governos e organizações de saúde em todo o mundo. A conscientização sobre a desigualdade no acesso a serviços de saúde é um passo essencial na construção de sistemas de saúde mais resilientes e eficazes, capazes de enfrentar futuras crises sanitárias globais.
Nota de Responsabilidade: Os conteúdos apresentados no Saúde Business 365 têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.