
Diabetes e Seus Efeitos Silenciosos nos Rins: Uma Realidade Subestimada
Um estudo recente realizado pelo Datafolha, encomendado pela biofarmacêutica AstraZeneca, revela um dado alarmante: apenas 10% da população brasileira reconhece que o diabetes pode afetar os rins. Embora 99% dos entrevistados afirmem ter conhecimento sobre a doença, a maioria desconhece suas complicações silenciosas ao longo do tempo.
Complicações do Diabetes
Quando questionados sobre as complicações associadas ao diabetes, apenas 10% mencionaram problemas renais, como a doença renal crônica e a insuficiência cardíaca. Em contrapartida, amputações (27%) e perda da visão (23%) foram citadas com mais frequência, demonstrando que os riscos mais sutis ainda são subestimados pela população.
Na prática clínica, é amplamente reconhecido que o diabetes mal controlado pode comprometer diversos órgãos e sistemas do corpo. As complicações incluem:
- Olhos: retinopatia diabética
- Rins: nefropatia e doença renal crônica
- Coração e vasos: doenças cardiovasculares e hipertensão
- Sistema nervoso periférico: neuropatia
- Cérebro: acidente vascular cerebral
- Membros inferiores: pé diabético e amputações
Essas informações ressaltam a importância de um controle rigoroso da glicemia e a necessidade de conscientização sobre as consequências do diabetes.
A Epidemia Silenciosa
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o diabetes como uma epidemia silenciosa. Globalmente, mais de 830 milhões de pessoas são afetadas pela doença, e no Brasil, cerca de 16 milhões convivem com essa condição. O aumento de casos entre adultos jovens, impulsionado por fatores como sedentarismo, alimentação inadequada e obesidade, é particularmente preocupante.
Segundo Rodrigo O. Moreira, membro do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento contínuo, é possível controlar o diabetes e evitar complicações graves. A informação e a prevenção são fundamentais para o cuidado com a saúde.
Desconhecimento entre os Jovens
Uma descoberta significativa do estudo é que, quando questionados diretamente sobre a conexão entre diabetes e doenças renais, metade dos brasileiros entre 16 e 24 anos afirmaram nunca ter ouvido falar dessa relação. Lidia Moura, cardiologista do Hospital Universitário Cajuru e Professora Titular do Curso de Medicina da PUCPR, destaca que os jovens têm a oportunidade de serem agentes de mudança em seus hábitos e na disseminação de informações sobre doenças crônicas.
Hipertensão: Reconhecida, mas Pouco Prevenida
A hipertensão também se destacou na pesquisa, afetando cerca de 30% dos adultos brasileiros. Embora 98% da população reconheça a condição, apenas 42% consideram a hipertensão como uma das doenças mais perigosas, um número inferior ao que se atribui ao diabetes (60%) e à insuficiência cardíaca (44%).
Dos entrevistados, aproximadamente 26% relataram já ter tido pressão alta, e 89% afirmaram que seus médicos discutiram a relação entre pressão arterial, diabetes e outras doenças. A cardiologista ressalta que reconhecer a hipertensão não é suficiente; é crucial entender sua conexão com outras condições, que podem evoluir silenciosamente e levar a complicações sérias.
Interesse por Informação e Necessidade de Orientação
Entre aqueles diagnosticados com diabetes e/ou hipertensão, 31% nunca receberam orientações médicas sobre a prevenção de doenças relacionadas. No entanto, 61% expressaram interesse em consultar especialistas para esclarecer dúvidas sobre alimentação e riscos cardíacos e renais. Isso revela uma clara oportunidade de promover a educação em saúde e estimular um cuidado integrado.
Conclusão: A Importância da Conscientização e Prevenção
O abismo entre o conhecimento popular e os reais impactos do diabetes evidencia a necessidade de avançar na conscientização sobre a doença e suas comorbidades, como perda da visão, amputações, doenças renais crônicas e falência cardíaca. É essencial que as pessoas iniciem hoje mesmo a busca por conhecimento, adotem hábitos saudáveis e sigam os tratamentos recomendados. Essas ações são passos decisivos para garantir uma melhor qualidade de vida no futuro.
Metodologia da Pesquisa
A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Datafolha entre os dias 8 e 12 de setembro de 2025, a pedido da AstraZeneca. Foram realizadas 2.005 entrevistas presenciais em 113 municípios de todas as regiões do Brasil, com margem de erro máxima de ±2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A amostra é representativa da população brasileira com 16 anos ou mais, abrangendo todas as classes econômicas.
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